“Vale a Pena Viver”: quando a vida encontra esperança e cuidado no Piauí

O projeto ‘Vale a Pena Viver’ transforma vidas no Piauí ao unir arte, cuidado com a saúde e acolhimento, reforçando a importância de ouvir, se cuidar e valorizar cada momento da vida.

O Piauí ocupa hoje o 2º lugar no Brasil em taxa de suicídio, uma realidade alarmante que não pode ser ignorada. Segundo dados do Ministério da Saúde, o estado registrou uma taxa de 11,83% de suicídios em relação ao total de óbitos em 2021, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul, com 12,37%. Foi diante dessa realidade urgente que nasceu o movimento “Vale a Pena Viver”, idealizado dentro do Ecossistema Go X por Carine Paiva, em parceria com o Dr. Carlos Portela. Mais do que uma campanha, trata-se de um chamado à vida, um convite coletivo à escuta, ao cuidado e à reconexão com o que realmente importa.

As pílulas Go X: pequenas mensagens, grande impacto

Antes mesmo de ocupar espaços físicos, o Ecossistema Go X iniciou o movimento de forma virtual, com as chamadas pílulas: postagens que traziam frases motivacionais e reflexivas sobre a vida, que convidavam as pessoas a parar, pensar e valorizar cada gesto do cotidiano. Cada frase atuava como um lembrete de que, mesmo nos dias mais difíceis, sempre existem motivos, ainda que discretos, para agradecer.

O projeto também reforçou a ideia de que nem sempre é preciso uma grande razão para seguir em frente; muitas vezes, vale a pena viver pelo sabor de coisas simples, como um sorriso, um abraço ou o nascer do sol. Essas pílulas abriram caminho para uma conversa mais profunda sobre autocuidado, presença e esperança, preparando o terreno para as ações seguintes do movimento.

O telefone amarelo: ouvindo a vida nas ruas

O passo seguinte foi levar a mensagem para as ruas com o telefone amarelo, um símbolo do movimento que convidava qualquer pessoa a falar, por alguns minutos, sobre os motivos pelos quais vale a pena viver. Cada pessoa se aproximava, compartilhava suas palavras e seguia adiante. Mesmo em tão pouco tempo, era possível perceber a intensidade e a sinceridade de cada história.

Pais, filhos, jovens e idosos deixavam ali um pedaço de si, um fio de esperança compartilhado com o mundo. E mesmo que cada voz desaparecesse após alguns minutos, o telefone carregava consigo todas essas narrativas, lembrando que cada vida importa, que cada gesto de coragem tem valor, e que ninguém está sozinho em sua luta.

Um dia para respirar e reconectar

No dia 14 de setembro, o Bosque Meus Filhos (@bosquewellness) se transformou em algo muito maior do que um espaço físico: tornou-se um refúgio de cuidado, esperança e presença. A ação só se tornou possível graças à iniciativa de Carine Paiva, em parceria com o Dr. Carlos Portela e com o apoio de empresas comprometidas com o bem-estar da comunidade, como a da Dra. Vaelma Melo. Todos acreditaram na urgência de criar um espaço onde as pessoas pudessem, ainda que por um dia, respirar, sentir e recomeçar.

Yoga: corpo e mente em sintonia

O dia começou com uma prática de yoga nas primeiras horas da manhã, quando os raios iniciais do sol se misturavam ao ambiente de respiração consciente. A atmosfera criada foi de calma e acolhimento. Entre cada movimento, os participantes foram convidados a se reconectar consigo mesmos.

Essa atividade demonstrou como corpo e mente, quando alinhados, podem oferecer um descanso profundo, uma sensação que muitas vezes não acontece nem durante o sono. A sessão matinal destacou a possibilidade de encontrar momentos genuínos de pausa e reconexão pessoal através da prática contemplativa.

No silêncio das posturas, muitos descobriram que parar, ainda que por alguns minutos, já é um ato de autocuidado. Outros sentiram na prática que o yoga não é apenas exercício físico, mas também uma forma de aliviar tensões, reduzir a ansiedade e fortalecer o corpo enquanto a mente encontra equilíbrio. A cada inspiração, surgia a chance de recomeçar; a cada expiração, a oportunidade de deixar ir o peso dos dias anteriores.

Assim, logo nas primeiras horas da manhã, o evento já deixava claro o seu propósito: oferecer não apenas atividades, mas experiências que lembrassem a todos que a vida é feita de pausas, e que essas pausas também sustentam os recomeços.

Oficinas artísticas: bordado, cerâmica e pintura em miniaturas e cartoon

Em seguida, as oficinas se espalharam pelo Bosque, como sementes de cuidado que floresciam em cada canto, oferecendo a todos uma oportunidade única de expressão e de presença no momento. No bordado, por exemplo, linhas e agulhas se entrelaçavam como se fossem fios de histórias, transformando-se em uma verdadeira poesia silenciosa.

Cada ponto bordado era mais do que técnica: era paciência, era atenção, era a descoberta de que até o gesto mais simples pode carregar beleza e significado. Muitas mãos, que talvez nunca tivessem experimentado essa arte, encontraram ali um espaço de descanso e criação, como se o ato de bordar fosse também um jeito delicado de costurar sentimentos e resgatar a calma.

Na modelagem em cerâmica fria, as formas não surgiam de maneira apressada, mas se revelavam pouco a pouco, como um processo de paciência e entrega. Cada participante, ao colocar as mãos na massa, descobria que moldar o material era também um exercício de presença. O toque cuidadoso, repetido a cada gesto, exigia concentração e calma, convidando a mente a desacelerar.

Assim, enquanto as peças ganhavam forma, muitos se permitiam perceber que estavam, ao mesmo tempo, moldando seus próprios sentimentos, dando espaço para que emoções guardadas encontrassem um caminho de expressão.

O simples ato de trabalhar a cerâmica, portanto, se transformava em mais do que uma atividade manual. Ele se tornava uma oportunidade de refletir sobre a vida, de perceber que, assim como a argila se ajusta às mãos que a trabalham, também é possível ajustar o olhar, o ritmo e como enfrentamos os dias. Cada curva, cada detalhe, mostrava que até aquilo que parece rígido pode se transformar quando há dedicação e cuidado. E, dessa forma, o exercício de criar algo com as mãos se revelava também como um convite para criar novos sentidos dentro de si.

Oficina de cartoon revela potencial criativo de participantes

Na oficina de cartoon, os traços começaram tímidos, mas gradualmente foram ganhando confiança. Personagens, expressões e histórias nasceram no papel, mostrando que desenhar vai além da técnica, é sobre dar voz à imaginação. Cada linha traçada e cada contorno feito demonstrou como é possível dar forma ao que sentimos e pensamos, especialmente quando as palavras não são suficientes.

“O objetivo da oficina é despertar o olhar criativo dos alunos, mostrando diferentes caminhos para a criação artística a partir do que observam no mundo”, afirmou Thiago Ramos, ilustrador e responsável pela atividade.

Participantes que possivelmente nunca haviam se arriscado a desenhar descobriram que a perfeição não é necessária para criar algo significativo. O cartoon mostrou que o simples pode ser profundo, e que mesmo os traços mais desajeitados carregam beleza quando feitos com dedicação.

A oficina se transformou em mais que uma atividade artística. Tornou-se um convite para rir, experimentar e reencontrar a leveza que a rotina pesada frequentemente apaga.

Já a pintura em miniaturas trouxe um convite especial à delicadeza e à concentração. Com pincéis finos e movimentos cuidadosos, cada participante era levado a se aproximar dos detalhes quase invisíveis, aprendendo que, muitas vezes, a beleza da vida está exatamente nas pequenas coisas. Cada cor aplicada, cada traço preciso, exigia paciência, mas também oferecia uma recompensa silenciosa: a sensação de estar totalmente presente naquele instante.

Enquanto mergulhavam nesse exercício de atenção plena, muitos descobriram que a arte de pintar em miniatura não se limitava ao papel ou às figuras. Era também um reflexo de como podemos escolher enxergar o mundo. Assim como cada detalhe exige cuidado e presença, a vida também pede que olhemos com carinho para aquilo que, no ritmo acelerado do dia a dia, passa despercebido, o sorriso de um filho, a brisa suave de uma manhã, ou até mesmo o simples ato de respirar.

Dessa forma, a oficina não apenas ensinou técnicas, mas abriu espaço para reflexões profundas. Pintar em miniaturas se transformou em um exercício de gratidão, mostrando que até o menor gesto pode carregar um sentido imenso. Foi como se cada traço colorido fosse um lembrete de que, na simplicidade dos detalhes, encontramos força, esperança e alegria para seguir vivendo.

Cada oficina, à sua maneira, revelou algo essencial: existir, criar, respirar e estar vivo já é um ato de coragem e cuidado. Mais do que técnicas ou resultados estéticos, o que se viu foram olhares mais leves, mãos mais firmes e corações mais conectados. Ali, entre pinceladas, linhas e formas, as pessoas descobriram que a vida ganha valor nos detalhes, e que até mesmo um gesto simples pode ser um lembrete poderoso de que, sim, vale a pena viver.

Pais puderam rir, brincar e criar memórias com seus filhos, enquanto participantes acelerados, sem tempo para lazer ou autocuidado, encontraram momentos de pausa, introspecção e alegria simples. Cada oficina, cada atividade física, cada instante se tornou uma oportunidade de perceber que a vida é feita desses pequenos momentos, e que eles têm valor imenso.

Palco de reflexão e esperança

No palco do evento, as vozes que se levantaram não foram apenas de conhecimento, mas também de cuidado, sensibilidade e inspiração. Isabella Freitas, arteterapeuta formada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e pelo Instituto Junguiano da Bahia, trouxe toda a profundidade de sua experiência clínica e artística para falar sobre Arteterapia.

Com atendimentos focados em trauma, ansiedade e depressão, Isabella compartilhou como a expressão criativa pode ser uma ponte poderosa para compreender e acolher emoções difíceis, especialmente para adolescentes e adultos. Ela mostrou que, por meio da arte, é possível transformar sentimentos silenciosos em mensagens visíveis, permitindo que cada participante reconheça, aceite e se conecte consigo mesmo.

Em seguida, a Dra. Vaelma Melo trouxe ao público reflexões essenciais sobre a importância dos hormônios na saúde emocional, sustentadas por sua experiência como referência nacional em ginecologia integrativa e regenerativa. Com mais de nove pós-graduações em áreas como endocrinologia, nutrologia, medicina integrativa e estética, e pioneira em tecnologias de ponta no Piauí, ela explicou como desequilíbrios hormonais podem afetar não apenas o corpo, mas também o humor, os relacionamentos e a qualidade de vida.

Lembrou que sintomas como insônia, ansiedade, depressão silenciosa ou perda de libido não refletem fraqueza, mas são sinais biológicos pedindo atenção e cuidado. Com a autoridade de quem já transformou a vida de milhares de mulheres por meio de reposições hormonais seguras e medicina personalizada, reforçou que compreender melhor o funcionamento do corpo é também um ato de autocompaixão: ao reconhecer esses sinais sem julgamentos, abre-se espaço para coragem, acolhimento e a busca de soluções reais.

Coragem que conecta

O ponto alto da programação foi marcado pelo talk conduzido por Carine Paiva e Dr. Carlos Portela, em parceria com representantes do CVV. Não se tratava apenas de uma palestra, mas de um encontro de acolhimento, que lembrou a todos os presentes que pedir ajuda é, antes de tudo, um ato de coragem, e que nunca estamos sozinhos, sempre existe alguém disposto a ouvir.

Entre a delicadeza da música ao vivo da Banda Cirandar The e a intensidade de uma encenação teatral sobre emoções, o público foi convidado a olhar para dentro de si, a reconhecer fragilidades e, ao mesmo tempo, a enxergar nelas sinais de humanidade. Cada instante parecia costurar a mensagem central do evento: sentir, compartilhar e existir já são conquistas valiosas, especialmente em tempos em que a saúde mental se torna um tema cada vez mais urgente.

Cuidar do corpo para cuidar da mente

Essa mensagem ganhou ainda mais força quando o cuidado com o corpo foi colocado como parte inseparável do cuidado com a mente. O Instituto Enfacilita esteve presente oferecendo serviços de saúde fundamentais, que incluíram a verificação da pressão arterial, orientações sobre saúde cardiovascular e demonstrações de manobras de reanimação para adultos e bebês. Além disso, psicólogos estiveram disponíveis para uma escuta acolhedora, criando um espaço seguro para compartilhar dores e encontrar apoio.

Em cada gesto, fosse uma medição de pressão, uma orientação técnica ou uma palavra de acolhimento, ficava evidente que cuidar de si é um ato de amor e coragem. O recado era simples e profundo: a vida, mesmo em dias difíceis, merece atenção, presença e cuidado.

Instantes que transformam

Ao longo do dia, ficou claro que “vale a pena viver” não era apenas uma frase estampada no evento, mas uma experiência concreta e sentida. Pessoas que carregavam preocupações financeiras puderam, mesmo que por algumas horas, aliviar o peso das contas e focar no que traz leveza. Casais que há muito não encontravam tempo para uma conversa sem pressa redescobriram o valor do diálogo simples. Jovens que se sentiam sem perspectiva encontraram novas possibilidades em oficinas e rodas de conversa. Idosos, muitas vezes esquecidos, experimentaram o acolhimento de olhares atentos e gestos de cuidado. Em cada história, em cada reencontro, o evento reafirmava que viver vale a pena justamente porque são os detalhes, o abraço, a escuta, a troca de experiências, que dão sentido e sustentação ao cotidiano.

Um legado de esperança

O “Vale a Pena Viver”, realizado pelo Ecossistema Go X, com Carine Paiva e Dr. Carlos Portela, revelou-se muito mais do que um evento: foi uma ação de humanidade e cuidado, capaz de tocar corações e gerar conexão verdadeira. Cada oficina, cada atividade e cada momento de escuta compuseram uma rede de afeto e esperança, lembrando a todos que ninguém precisa caminhar sozinho e que sempre existe um caminho para recomeçar.

E, para quem ainda precisa de apoio, fica o lembrete fundamental: o CVV mantém atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia, pelo número 188.

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