O WhatsApp deixa de ser só atendimento e avança como canal de recorrência

Pesquisa mostra que consumidores já usam o WhatsApp para comprar, acompanhar empresas e receber ofertas, ampliando o papel do canal na estratégia comercial.

Durante muito tempo, o WhatsApp entrou nas empresas pela lateral. Primeiro apareceu no celular do vendedor. Depois virou número de atendimento. Em seguida vieram catálogos, listas, mensagens automáticas e grupos de clientes. Aos poucos, um canal inicialmente pensado para conversa passou a ocupar espaço cada vez maior na jornada comercial.

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostra que 55% dos consumidores participam de grupos de WhatsApp para receber ofertas exclusivas, um crescimento de 14 pontos percentuais em um ano. O comportamento de compra também chama atenção. 73% dos entrevistados fizeram pelo menos uma compra pelo aplicativo no último mês, com média de 2,1 pedidos.

O WhatsApp que muitas empresas ainda tratam como improviso já faz parte do comércio. O desafio agora é não transformar proximidade em excesso.

Estar perto não significa ter permissão para tudo

Poucos canais comerciais possuem a intimidade do WhatsApp. A mensagem da empresa chega ao mesmo lugar em que chegam mensagens da família, dos amigos e do trabalho. Essa proximidade é justamente o que torna o canal poderoso, mas também aumenta o risco de desgaste.

A mesma pesquisa mostra que 82% dos consumidores aceitam algum contato empresarial pelo aplicativo. O tipo de contato desejado, porém, revela uma fronteira importante. 46% preferem mensagens relacionadas a suporte, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento de entregas, enquanto apenas 30% demonstram interesse em ofertas e promoções personalizadas.

Existe uma diferença importante entre poder conversar com um cliente e possuir autorização para tentar vender alguma coisa a ele todos os dias.

Para as empresas, isso significa que profissionalizar o WhatsApp não deveria ser sinônimo de aumentar a quantidade de disparos. Deveria significar melhorar a qualidade e o contexto das interações.

Quando uma lista de contatos vira inteligência comercial

Em muitos pequenos e médios negócios, o WhatsApp ainda depende demais da memória das pessoas. O vendedor lembra de determinado cliente e manda uma mensagem. Alguém cria um grupo. Surge uma promoção e a base recebe um disparo. O cliente responde e a conversa acontece.

Esse modelo pode funcionar enquanto o volume é pequeno. Quando a empresa cresce, a informalidade começa a produzir clientes esquecidos, ofertas repetidas, contatos sem acompanhamento e oportunidades que desaparecem no histórico das conversas.

É nesse momento que o problema deixa de ser apenas comunicação e passa a ser gestão comercial.

Quem acabou de comprar? Quem demonstrou interesse e não concluiu? Quem compra determinada categoria de produto? Quem não retorna há seis meses? Quem deveria receber uma oferta agora? Quem precisa apenas de acompanhamento? Quem já recebeu três abordagens sem responder?

Responder a essas perguntas exige histórico, segmentação e algum nível de integração com CRM ou processo comercial. É isso que transforma uma base de contatos em um ativo da empresa.

Recorrência não é insistência

O avanço dos grupos de ofertas revela uma oportunidade importante porque empresas não precisam reconquistar do zero a atenção de alguém que já conhece a marca. Mas recorrência não nasce simplesmente de mandar mensagens com mais frequência. Ela depende da capacidade de reconhecer quando existe um motivo relevante para voltar a conversar com aquele cliente.

Uma loja pode avisar sobre a chegada de produtos compatíveis com compras anteriores. Uma clínica pode utilizar o canal para acompanhar etapas do atendimento. Uma empresa B2B pode retomar uma conversa comercial no momento adequado. Um varejista pode separar clientes por interesse em vez de colocar toda a base no mesmo grupo promocional.

Em todos esses exemplos, a tecnologia já existe. O desafio maior é decidir quem recebe o quê, em qual momento e por qual motivo.

Sem essa lógica, automação apenas permite incomodar mais pessoas em menos tempo.

O WhatsApp também precisa de indicadores

Se o aplicativo já influencia diretamente vendas e recompra, existe uma pergunta que deveria entrar na gestão do canal: quanto o WhatsApp realmente vende?

Quantas oportunidades começaram ali? Quantos clientes foram recuperados? Quantos voltaram a comprar? Qual campanha gerou resposta? Quantas pessoas deixaram um grupo depois de uma sequência de ofertas? Quanto da receita veio de clientes que já estavam na base?

Quando nada disso é acompanhado, a empresa possui conversas, mas não necessariamente um canal comercial gerenciado.

A mudança é importante porque muitas empresas ainda enxergam aquisição e relacionamento como atividades separadas. Investem para encontrar novos clientes, fazem uma venda e depois praticamente recomeçam do zero. O WhatsApp oferece a possibilidade de manter essa relação ativa, desde que a empresa consiga trocar volume por relevância.

O comportamento do consumidor já mudou. Ele conversa com empresas, tira dúvidas, acompanha pedidos, recebe ofertas e compra dentro do WhatsApp.

Agora é a gestão que precisa acompanhar essa mudança.

A vantagem não estará com a empresa que conseguir enviar mais mensagens. Estará com aquela que souber quando existe algo relevante a dizer e quando a melhor mensagem é nenhuma.

Acompanhe a Carine Paiva e o Ecossistema Go X nas redes sociais:

Instagram – Carine Paiva

Instagram – Ecossistema Go X

Podcast POD X | por Carine Paiva:

Youtube – Spotify – Amazon – Apple – Deezer

Grupo Go X LTDA. Todos os direitos reservados. ED DIAMOND CENTER SL 45, AV. UNIVERSITÁRIA 750 – FÁTIMA, 64049-494, Teresina-PI.