O que começou como um rascunho em um apartamento de Teresina tornou-se um dos principais movimentos de transformação empreendedora do Piauí. Idealizado pela empresária Carine Paiva, “A Nova Era” transcende o formato de um evento para se firmar como uma causa: democratizar o acesso ao conhecimento de alto nível e desafiar a cultura da escassez que, segundo ela, ainda limita o potencial do estado.
Movida por uma experiência pessoal de fracasso nos negócios e pela percepção de que faltavam no Piauí eventos com propósito e conteúdo prático, Carine construiu um movimento que prioriza a transformação real em vez da motivação superficial. Nesta entrevista, ela revela as origens do movimento, sua obstinação em fomentar um ecossistema de abundância no Piauí e a visão por trás de uma iniciativa que, em suas palavras, já se tornou maior do que a própria criadora.

Thiago Ramos: Você lembra do momento em que o nome A Nova Era surgiu pra você?
Carine Paiva: Sim. Lembro bem. Estava no meu apartamento, num final de semana. A ideia já estava rabiscada desde 2022 como uma feira de negócios com foco em marketing, gestão e inovação. Mas ainda havia dúvidas: “Será que vai dar certo?”, “Será que estou pronta para algo tão grande?”. Em 2023, decidi: “Eu vou fazer isso”. E pensei: “Estamos vivendo um novo tempo, é uma nova fase…”. E o nome veio: A Nova Era.

TR: Quando você percebeu que A Nova Era tornou-se, de fato, um movimento?
CP: Ela foi criada para ser um movimento. Não é que eu percebi isso depois – eu a idealizei com esse propósito. Desde o início, minha visão era realizar algo grande no Piauí, algo que ampliasse o acesso ao conhecimento para qualquer pessoa que desejasse. Até então, muitas pessoas nem sabiam que isso era possível. Em lugares como São Paulo, esse tipo de movimento já existe, mas para o pequeno empreendedor daqui, isso era inacessível. A Nova Era veio para permitir que tanto o micro quanto o médio e até o grande empreendedor pudessem ter acesso a mentores e conhecimento, alcançar resultados profissionais, financeiros e de vida.
TR: A ideia surgiu, então, a partir de uma necessidade que você identificou no contexto local?
CP: Sim. Eu fui empresária, quebrei, e percebi que minha maior dor vinha da arrogância de achar que poderia empreender sem estar preparada. Ter coragem e fé é importante, mas sem conhecimento, você sofre. Aqui, as feiras que existiam eram muito medianas, sem estrutura ou propósito. Decidi criar algo de alto padrão, com responsabilidade. Todos os palestrantes precisam me enviar o conteúdo que irão apresentar e o objetivo é que eles entreguem uma transformação. A maioria é remunerada – especialmente os que vêm de fora. Eles sobem no palco para ensinar, não apenas motivar. Essa é a principal responsabilidade d’A Nova Era. E, até então, quem queria esse tipo de conteúdo tinha que ir para São Paulo ou, com sorte, Fortaleza.
TR: E por que você insiste com o Piauí?
CP: Porque é minha missão. Eu não acredito que vá permanecer aqui para sempre, mas quero deixar uma contribuição real. O Piauí é rico, tem tudo para prosperar. O que falta é mentalidade. E minha missão é romper com isso.
TR: Por que essa mudança de mentalidade ainda é uma barreira tão grande para as pessoas?
CP: Porque somos frutos de um país marcado por corrupção, escravidão e desvalorização. As pessoas não se sentem merecedoras, não foram incentivadas a acreditar que podem. Há um culto à escassez. Se você é bem-sucedido, dizem que é arrogância. Crescemos ouvindo: “Cuidado, não exagere, não brilhe demais”. Isso é mentalidade. Já vi gente que foi À Nova Era, teve resultados concretos, e não volta – porque se conformou. A mentalidade é o maior obstáculo.
TR: E como você assegura que cada palestrante gere um impacto real no público d’A Nova Era?
CP: Eu pesquiso o que meus alunos precisam. Eu sou empresária, entendo de gestão de pessoas, sei o que é não ter investidor, sei o que é tentar convencer um cliente, sei o que é não vender. Os alunos da Go X Educação são mapeados, então sei exatamente o que buscam. Quando contrato um palestrante, ele vem para compartilhar uma expertise alinhada com essa demanda. Monitoramos tudo: slides, contrato… tudo é pensado para gerar impacto.
TR: Você menciona A Nova Era como um movimento que impulsiona para o futuro. Que futuro é esse?
CP: Para mim, o futuro é agora. A Nova Era é o novo tempo que estamos vivendo. Se você não se reinventa, não se atualiza, não desenvolve inteligência emocional e prática para conduzir sua vida e seus negócios, será engolido. O futuro é o que fazemos hoje. Se amanhã existir, ele será fruto do que realizamos agora.
TR: Você é a mente por trás do movimento. Sente que ele já se tornou maior do que você?
CP: Com certeza. Se outras pessoas quiserem continuar com o movimento, conseguem seguir sem mim. Ele virou uma causa de muitos. Depois d’A Nova Era, as pessoas começaram a buscar mais conhecimento, a investir mais em si mesmas. Isso me orgulha demais.
TR: Qual a maior contribuição que você acredita ter deixado com A Nova Era?
CP: Abundância. Tenho certeza de que, se eu morresse hoje, muita gente diria: “Foi através dessa mulher que minha vida foi transformada”. Tenho ex-alunos que hoje colocam filhos em escolas particulares, viajam, prosperam, recuperaram a fé em Deus e em si mesmos. Minha missão é dar acesso. Nem que a pessoa não prospere agora, ela vai saber o caminho para isso.
TR: Eu vi você se emocionar lendo histórias de pessoas transformadas. Você acha que, um dia, isso vai deixar de te tocar?
CP: Duvido. Eu não tenho vaidade nisso. É impossível alguém me mandar uma mensagem e eu não responder, nem que seja uma resposta rápida. Teve uma aluna que postou: “Meu primeiro aniversário”. Uma mulher de mais de 40 anos. Com um bolinho simples. Eu chorei junto. Não importa o tamanho da conquista, sempre vou vibrar com ela. Nunca vai ser comum para mim ver alguém transformar a própria vida.
TR: Pelo que você mais agradece a Deus na sua vida?
CP: Por não ter desistido de mim. Por me dar clareza. Quando tive acesso ao autoconhecimento, entendi o que são padrões mentais, crenças limitantes. Muita gente não vive a liberdade que já está decretada, não porque Deus não ama, mas porque estão presas mentalmente. Isso está enraizado, codificado no DNA. Ter clareza disso é libertador.
TR: Qual é a sua mensagem para toda a comunidade que forma A Nova Era, incluindo colaboradores, participantes e parceiros?
CP: Que tenham fome. Fome de conhecimento, de crescimento, de transformação. Que aproveitem o que A Nova Era oferece e prosperem. Que mudem a realidade da geração atual e das próximas. Que saibam que A Nova Era é um lugar para alimentar essa fome de liberdade e abundância.
TR: Quer deixar algum recado final?
CP: A Nova Era não é da Carine. É de todos que são inconformados, que querem crescer, que buscam liberdade. Eu sou apenas uma representante corajosa. Mas o movimento é do Piauí, do Nordeste, do Brasil – e do mundo. Eu acredito que, em breve, pessoas do mundo inteiro virão. E cada um vai transformar vidas à sua maneira: pela medicina, pelo direito, pela arte, pela espiritualidade. O meu legado será pelo conhecimento e pelas conexões.

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