Piauí lidera igualdade salarial no Brasil e se destaca no novo relatório do Ministério do Trabalho

Transparência, equidade e mudança estrutural: um retrato do novo ciclo do trabalho no Brasil.

O Brasil ainda convive com uma diferença média de 21,2% entre os salários de homens e mulheres, segundo o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado em 3 de novembro de 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em parceria com o Ministério das Mulheres. Ainda assim, o estudo mostra que há avanços importantes. O Piauí, por exemplo, é apontado como o estado com a menor diferença salarial entre gêneros: apenas 7,2%, consolidando-se como referência nacional em equidade.

Mudança cultural e novos parâmetros

O levantamento analisou 19,4 milhões de vínculos trabalhistas registrados na RAIS, abrangendo 54 mil empresas com mais de 100 empregados. Nele, as mulheres representam 30% da força de trabalho, com remuneração média de R$ 3.908,76, enquanto os homens recebem R$ 4.958,43. A diferença de R$ 1.049,67 evidencia uma estrutura histórica, mas também um cenário de transição.

Segundo o relatório, o aumento da participação feminina é constante: entre 2023 e 2025, a proporção de mulheres ocupadas subiu de 40% para 41,1%, o que representa um acréscimo de 800 mil trabalhadoras. A massa de rendimentos femininos também cresceu, saltando de 34,1% para 35% do total nacional. Se essa fatia acompanhasse integralmente a proporção de vínculos femininos, o país teria R$ 92,7 bilhões adicionais na economia.

Esses números indicam que a equidade de gênero deixou de ser apenas uma pauta social e se tornou um vetor de produtividade e crescimento econômico.

Desigualdade racial e desafios persistentes

Mesmo com avanços regionais, as diferenças salariais por raça e gênero continuam profundas. O relatório aponta que mulheres negras recebem, em média, 46% menos do que homens brancos. Nos salários de admissão, a diferença é de 33,5% (R$ 1.836,00 vs. R$ 2.764,30), e quando observada a remuneração média geral, o abismo sobe para 53,3% (R$ 2.986,50 vs. R$ 6.391,94).

Esses dados mostram que a desigualdade não se explica apenas por tempo de experiência ou metas de desempenho, fatores apontados por 78,7% e 64,9% das empresas, respectivamente, mas por questões estruturais e culturais que atravessam o mercado de trabalho brasileiro há décadas.

Leis, fiscalização e caminhos para o futuro

A Lei nº 14.611/2023, que embasa o relatório, tornou obrigatória a publicação de informações sobre remuneração e critérios de promoção em empresas com mais de 100 funcionários. Desde então, o MTE intensificou a fiscalização e o incentivo à diversidade: somente em 2025, foram 787 ações de auditoria trabalhista, atingindo cerca de um milhão de trabalhadores e resultando em 154 autos de infração.

O documento também destaca políticas corporativas em expansão, como promoção de mulheres (38,9%), incentivo à contratação de mulheres negras (23,1%) e flexibilidade de jornada (44%). Esses indicadores refletem uma transformação gradual no modo como as empresas entendem o papel social e econômico da mulher no trabalho.

O exemplo do Piauí

Ao liderar o ranking nacional de igualdade salarial, o Piauí mostra que a mudança é possível quando há intencionalidade, políticas públicas e compromisso das lideranças. O estado, historicamente marcado por desafios econômicos, demonstra que o desenvolvimento pode caminhar lado a lado com a equidade.

Mais do que números, os dados revelam uma nova mentalidade em construção, uma em que a transparência é o primeiro passo para a transformação estrutural.

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