Dados indicam que abrir um negócio no país é mais fácil do que garantir a permanência dele no mercado.
A maioria das empresas brasileiras não passa de cinco anos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, mostram que apenas 37,6 por cento das empresas iniciadas em 2014 continuavam em operação cinco anos depois. Esse percentual significa que mais de seis em cada dez encerraram as atividades nesse período, revelando que a permanência no mercado é hoje o principal desafio para novos negócios no país. A informação mostra que abrir uma empresa no Brasil tem se tornado uma ação relativamente comum, porém a sustentação operacional e financeira no médio prazo ainda é limitada.
Esse dado também expõe que o empreendedor brasileiro enfrenta condições de funcionamento restritas desde o início da operação, com forte pressão tributária, instabilidade econômica e dificuldade de construção de reservas financeiras. Muitos negócios iniciam com capital insuficiente para atravessar os primeiros anos, que geralmente são os mais exigentes em termos de estrutura e adaptação. Para especialistas, a estatística reforça a necessidade de políticas de apoio e maior profissionalização de gestão, principalmente no início da vida empresarial.
A fragilidade dos pequenos negócios amplia o risco de fechamento.
O relatório Taxa de sobrevivência das empresas no Brasil, divulgado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), aponta que três em cada dez Microempreendedores Individuais (MEI), encerram atividades em até cinco anos. Esse recorte revela que pequenos negócios atuam com maior exposição a riscos, já que dependem diretamente do fluxo de caixa imediato, possuem menor reserva operacional e tendem a enfrentar maior dificuldade em períodos de oscilação econômica. Na prática, isso significa que a vulnerabilidade é maior para quem começa com pouco capital e com estrutura reduzida.
O relatório também indica que microempresas e empresas de pequeno porte, embora apresentem desempenho ligeiramente superior, continuam operando sob condições que exigem disciplina financeira e planejamento de longo prazo desde o início.
Como grande parte desses empreendedores atua sem consultoria especializada e com pouca experiência em gestão, a probabilidade de interrupção precoce aumenta significativamente durante mudanças de mercado. Essa combinação entre baixa estrutura, pouca margem de erro e planejamento restrito explica por que sobrevivência empresarial e tamanho do negócio permanecem diretamente relacionados.
Ecossistema Go X
Para Carine Paiva, CVO do Ecossistema Go X, empresas que conseguem permanecer ativas constroem organização financeira, disciplina de execução e capacidade de adaptação constante, mesmo em fases de instabilidade.
Segundo ela, empreendedores que revisam estratégias e mantêm ação contínua ampliam suas chances de superar o período crítico dos primeiros anos. O Ecossistema Go X desenvolve programas orientados para empresários que buscam crescimento sustentável e preparo estratégico para enfrentar os desafios reais do mercado brasileiro.
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