Projeto Corppore aposta na saúde mental como ferramenta para transformar o ambiente corporativo e impulsionar resultados.
O bem-estar dos colaboradores deixou de ser apenas um diferencial e passou a ocupar lugar estratégico dentro das organizações. No Ecossistema Go X, essa compreensão se traduziu em ação concreta com a chegada do projeto Corppore, iniciativa do Instituto Enfacilita voltada para a saúde mental no ambiente de trabalho. Lançado em formato piloto por meio de uma parceria com a empresa, o programa tem como objetivo não apenas prevenir riscos psicossociais, mas também fortalecer uma cultura organizacional mais saudável, colaborativa e produtiva.
A proposta foi apresentada à equipe durante um treinamento conduzido por Joilsa Mororó, enfermeira com 15 anos de experiência na área da saúde, com especialização em enfermagem do trabalho e formação complementar em saúde mental. Segundo ela, a escolha da Go X para iniciar o projeto não foi por acaso. Joilsa destacou que a CVO da empresa, Carine Paiva, entendeu de imediato a relevância da proposta e abraçou a iniciativa com entusiasmo, o que contribuiu diretamente para o sucesso da implementação.
Novas exigências legais reforçam a urgência do cuidado
A iniciativa surge em um momento decisivo para o mercado de trabalho. A partir de maio de 2025, todas as empresas brasileiras precisarão, por força da nova redação da NR-1, implementar ações voltadas à promoção da saúde mental e à gestão de riscos psicossociais, como estresse, assédio e sobrecarga. A medida foi oficializada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, que determina a inclusão desses riscos no Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (PGR). Paralelamente, a Lei 14.831/2024 cria uma certificação para empresas que adotam boas práticas em saúde mental.
Nesse contexto, o Corppore se apresenta como um caminho viável e estruturado. O programa apoia as empresas no cumprimento dessas exigências legais, ao mesmo tempo em que promove mudanças culturais e melhora a produtividade.

Go X como projeto piloto
Para Joilsa Mororó, muitos dos desafios enfrentados no dia a dia das empresas têm origem em questões emocionais não tratadas. “Tem colaboradores que faltam com frequência, vivem apresentando atestados e estão sempre envolvidos em conflitos com a equipe. Quando isso acontece, geralmente é um sinal de que algo não vai bem na saúde mental dessas pessoas”, afirmou.
Os dados refletem essa realidade. Em 2023, o INSS registrou mais de 283 mil afastamentos por incapacidade relacionados à saúde mental. Já em 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social, esse número ultrapassou 472 mil, o que representa um aumento de 67% em apenas um ano. Esse avanço acelerado sinaliza um problema crescente nas organizações: se nada for feito, o cenário tende a se agravar, com impactos diretos na qualidade de vida dos profissionais e na sustentabilidade dos negócios.
Diante desse contexto, a proposta central do projeto ganha ainda mais relevância. Segundo Joilsa, o objetivo é criar ambientes corporativos mais saudáveis, onde a saúde mental seja tratada como prioridade.“A intenção do projeto é justamente melhorar o clima organizacional e aumentar a produtividade dos colaboradores, a partir do momento em que cuidamos da saúde mental deles”, completou.

O processo de implementação
O processo de implementação do Corppore começa com a aplicação de um questionário validado internacionalmente, que identifica os principais fatores de risco psicossocial dentro da organização. Outras ferramentas também são utilizadas durante a fase de diagnóstico, com foco em seis eixos principais:
- Estrutura organizacional;
- Ambiente físico e social;
- Clima organizacional;
- Jornada de trabalho;
- Relação interpessoal;
- Níveis de estresse.
Com base nas informações coletadas, a equipe técnica desenvolve um plano de ação personalizado para a empresa. Ao final, haverá uma avaliação para verificar se houve alteração nos resultados anteriormente apontados como fatores de risco.
Apesar dos benefícios evidentes, Joilsa observa que ainda há empresários que encaram a implementação da NR-1 com certo receio. Muitos interpretam iniciativas voltadas à saúde mental como críticas veladas à sua gestão, como se estivessem sendo acusados de assédio moral ou de sobrecarregar suas equipes. Essa percepção equivocada acaba dificultando o engajamento e a compreensão do verdadeiro propósito dessas medidas. Na Go X, no entanto, a receptividade foi diferente.
“A Carine é disruptiva, ela realmente entende a importância disso dentro das empresas. Quando apresentei o projeto para ela, já tinha levado a outras pessoas que não aceitaram. Mas ela, de imediato, topou desenvolver dentro da Go X”, relatou a idealizadora do Corppore.
Saúde emocional no centro da produtividade
Esse entendimento da liderança sobre o valor do cuidado com as pessoas reverbera em toda a equipe. Lucas Alves, psicólogo e colaborador da Go X, reforça a importância de uma cultura organizacional que reconhece o ser humano além do crachá. “A Carine sempre lembra que a gente não trabalha só para a empresa. Trabalhamos por nós mesmos, pelas nossas famílias”, afirma.
“Quando uma empresa entende isso e apoia de verdade o cuidado com a saúde dos colaboradores, criando um ambiente saudável, produtivo e seguro, tanto física quanto emocionalmente, os resultados aparecem. A produtividade cresce, e todos saem ganhando”, completa.

Expectativa do projeto
Por fim, Joilsa reforça que investir em saúde mental não é apenas uma questão de empatia, mas uma estratégia de resultados. “Quando a saúde mental é valorizada dentro da empresa, todo mundo sai ganhando. O colaborador, o empresário e até o financeiro, porque os custos acabam diminuindo. É benéfico para todos.”
Com os primeiros resultados sendo analisados, a expectativa é expandir o Corppore para outras empresas que queiram se antecipar às exigências legais e, mais do que isso, construir espaços de trabalho mais humanos e acolhedores.

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