Vídeo com Tallis Gomes e 30 demitidos viraliza, e Go X reforça: “A empresa vive de resultados, mas é feita de pessoas”

Em entrevista, o gerente de Gente e Gestão do Ecossistema Go X, Rodrigo Vieira, explica como empresas modernas podem tomar decisões difíceis sem perder a sensibilidade.

De um lado, Tallis Gomes, fundador do G4 Educação e um dos empresários mais conhecidos do Brasil. Do outro, 30 pessoas demitidas que expõem sua visão sobre mercado de trabalho, direitos, liderança, e empreendedorismo. O debate, promovido no YouTube pelo Canal Foco, viralizou ao reunir diferentes visões sobre temas relevantes ao ambiente corporativo.

Para entender como empresas modernas lidam com esses desafios, que muitas vezes geram dúvidas nos empresários, conversamos com Rodrigo Vieira, gerente de Gente e Gestão do Ecossistema Go X.

Quando o pessoal afeta o profissional

Durante o debate, ex-funcionários argumentaram que questões pessoais não deveriam justificar demissões. O empresário Tallis Gomes, por outro lado, defendeu que a baixa produtividade exige substituição. Para Rodrigo Vieira, no entanto, o tema pede análise cuidadosa e sensibilidade:

“Para medir o desempenho de alguém, o primeiro ponto é ter indicadores bem definidos. Se a meta foi batida, o problema pessoal não impactou no resultado. Se não foi, é preciso avaliar se houve influência e qual o peso disso. São duas análises que precisam ser feitas com equilíbrio”, afirma.

Rodrigo acredita que o papel da liderança é estar próximo, mas reconhece que nem sempre os colaboradores compartilham suas questões pessoais. Por isso, reforça: “É fundamental oferecer apoio dentro do que é acessível e permitido, mas sem prometer resolver algo que não está ao nosso alcance.”

Empatia não é passar a mão na cabeça

Sobre lideranças que ainda associam empatia à fraqueza ou permissividade, o gerente é direto:

“Uma coisa é errar e ser educado, orientado. Outra é repetir o mesmo erro e continuar sendo protegido. Liderança empática não é liderança permissiva. É saber acolher sem perder a mão firme na direção dos resultados.”

Meritocracia com propósito

No vídeo, a meritocracia foi alvo de críticas por parte de muitos dos demitidos, além de gerar debates nos comentários. Rodrigo, por sua vez, defende o conceito com uma abordagem mais equilibrada:

“Meritocracia é essencial. Não é o tempo de casa que define o merecimento, mas o que a pessoa entrega no dia a dia. Se alguém com cinco anos continua na mesma função e outro, com menos tempo, já foi promovido, é sinal de que a entrega fala mais alto.” Na Go X, segundo ele, o reconhecimento por mérito faz parte da cultura, desde que atrelado ao desenvolvimento humano. “Premiar quem traz resultado é coerente com nosso propósito.”

Demitir ou acolher? A linha tênue da gestão humana

A questão mais sensível da entrevista veio quando perguntamos: deve-se demitir alguém que não está performando devido a problemas pessoais?

Rodrigo foi ponderado em sua resposta: “O RH precisa buscar um equilíbrio entre fazer o que tem que ser feito e fazer isso de forma humanizada. A resposta nunca é sim ou não. É preciso analisar o contexto, a durabilidade do problema, o histórico do colaborador e o impacto real nos resultados.” E completa: “Às vezes, ser demitido é libertador. A pessoa se vê forçada a sair da zona de conforto e encontra oportunidades mais alinhadas com o que realmente faz sentido para sua vida.”

Demitir custa caro

No vídeo, Tallis Gomes afirmou que a demissão de um vendedor pode representar um custo de até R$ 1 milhão para a empresa, somando perda de receita, custos operacionais e o tempo necessário para reposição e treinamento. Rodrigo concorda, mas com ressalvas: “Se o colaborador entrega resultado, claro que custa caro demitir. Você perde tempo de treinamento e o retorno que ele dava. Mas se ele não está entregando, está gerando prejuízo ou insatisfação nos clientes, aí a conta muda. Tudo depende do impacto real que ele gera.” Ou seja, demitir um funcionário sai caro se o funcionário for alguém de real impacto dentro da empresa.

Mais que números: pessoas

Rodrigo Vieira finaliza a conversa com um lembrete que parece simples, mas que muitas empresas ainda ignoram: “A empresa vive de resultados, mas é feita de pessoas. Não podemos esquecer isso ao tomar decisões difíceis.”

A Go X investe em desenvolvimento humano como eixo da gestão. “Desenvolver pessoas é também entender o momento de cada uma”, reforça Rodrigo.

Rodrigo Vieira é administrador, possui dois MBAs na área e atua como gerente de Gente e Gestão no Ecossistema Go X. Com mais de 21 mil seguidores no LinkedIn, compartilha reflexões sobre cultura organizacional, liderança e transformação de pessoas por meio da gestão estratégica de RH.

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